Eleições 2010 – Candidatos testa de ferro

Nas últimas 2 semanas, passei discutindo com o pessoal do trabalho sobre as candidaturas de circo, como podemos apelidar a candidatura de palhaços como Tiririca, um fantoche de partido que tem orgulho de dizer que não sabe as obrigações do cargo que almeja, mas chegando lá, ele conta pro eleitor que votar nele.

Maguila, outrora desportista de respeito, se envereda por esses caminhos também. E recentemente, até agrediu um boneco que fazia alusão ao colega de picadeiro, Tiririca. Outro fantoche na mão de um partido que, como muitos outros, aposta em figuras de fácil reconhecimento público pra conseguir votos.

Mas por que apostar em nomes, e não conteúdo? Fácil, pelo fenômeno iniciado pelo falecido Enéas Carneiro que, há alguns anos atrás, levou consigo vários companheiro de legenda ao poder, uma vez que nossa legislação contempla a legenda de acordo com votos, não só elege o candidato por voto direto.
Com base nessa "brecha", os partidos então investem nessas "figuras públicas", muitas vezes claramente sem conteúdo.

Apelam ou para o carinho do público, uma espécie de saudosismo de uma parcela da população, ou para uma raiva desprovida de raciocínio de outra parcela, que descontente com a atual situação política do país, vota neste tipo de engodo como uma forma ou de protesto ou de piada, achando que isso vai surtir algum efeito.

Na verdade vai. Vai surtir efeito sim. Negativo também é efeito, não? Efeito como o de Agnaldo Timóteo, que gastou tempo precioso, sem falar em dinheiro, em propostas como a de mudar o nome do parque do Ibirapuera para "Parque Michael Jackson", vide Folha de SP. Ou o efeito de ter um deputado como Netinho, que usando plataformas populistas pode até ter feito algo pra uma parte pobre da população, mas no paralelo, lidava com acusações de agressão à esposa e tem um relatório de gastos, digamos, difícil de engolir.

A solução é proibir este tipo de candidatura? Não. Afinal, o processo democrático envolve permitir que qualquer cidadão com um mínimo de educação possa ser candidato a um cargo público eletivo. O problema não é a democracia, mas o uso sujo da máquina democrática para fins pessoais ou de um grupo pequeno em detrimento do demo descrito no termo democracia.

A solução é começar de novo. É dar uma educação não cabresto, é acabar com o voto obrigatório para que se crie, lentamente, uma consciência de que só através da participação na política e a cobrança de papéis decentes e dignos dos eleitos teremos retorno e evolução.