O Mochileiro

Pegou sua mochila, pôs nas costas, somente o necessário. Mas era grande, daquelas de prender na cintura, cabia bastante coisa.
Pegou, pôs nas costas, se saiu pela vida. No caminho, enquanto seguia sua jornada, cada dia era um conteúdo novo pra sua mochila.
Cada amizade, cada briga, cada amor, cada refeição… tudo era um novo item, ocupando seu espaço na mochila.
Só que a cada dia de nova caminhada, a mochila pesava mais. Era hora de deixá-la um pouco mais leve.
E ele começou, assim, a se livrar do que não precisava. As mágoas que carregava e só pesavam, deu aos passarinhos que cantavam eu seu caminho. E eles as carregaram ao longe.
Dos momentos tristes, tirou suas lições e a tristeza em si deu à lua que iluminava sua noite. A linda lua, a trocou pelo brilho das estrelas, e velou seu sono dia após dia.
A felicidade… ahn, essa ele queria carregar consigo sempre, mas até ela ocupava espaço na mochila, veja como é. Então, ele resolveu dividí-la com as pessoas do caminho e, quanto mais felicidade ele dividia com as pessoas, mais dela brotava na mochila. Era como se ela se multiplicasse através da divisão, paradoxalmente!
Aí veio a saudade… Essa era impiedosa, batia sem dó e ele não sabia como tirá-la da mochila. Um dia, quando a saudade pesava bastante numa subida dura, sob o sol escaldante, ele titubeou e quase caiu.
Foi quando ele olhou pra trás e viu uma multidão de mochileiros, cada um com um jeito diferente de estar do seu lado, prontos pra dividir mais esse peso da sua mochila.
 
 
 
(Essa me invadiu a mente ontem, e só saiu hoje. Tem aí um dedinho do Velho, algumas imagens minhas, alguma ludicidade e um pouco do meu momento atual.)

2 thoughts on “O Mochileiro

  1. A minha mochila ainda tem um pouco de tranqueira, Rê, mas nada que eu não possa empurrar “pro cantinho” e sobrar espaço para caber um pouquinho do que tem na sua. Sei que fará o mesmo por mim!

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