De bicicletas motorizadas

Penso aqui com meus botões: que raio de pessoa criou a bicicleta motorizada?
Seria caso do indivíduo ser um mão de vaca daqueles que economiza até no bom dia que decidiu que não queria gastar numa CG ou sequer uma lambretinha usada?
Porque, afinal, faz muito sentido: ele compra uma bike velha, surradinha, um motorzinho irritante de cortador de grama, usa aquelas peças que sobraram de alguma tranqueira no quintal e voilá! Faz-se sua bicicleta motorizada.
Posso cogitar, outra coisa: incompetência. Afinal de contas, pra poder ter uma moto, é necessário aprender a pilotar algo mais pesado que uma magrela. Além disso, vem a famigerada habilitação. Continuamos no quesito economia, tem a moto, auto-escola, documentos e tudo mais. Mas ainda assim eu acho que é mais incompetência mesmo. Tem aquele cagaço de não passar no exame e ter que pagar novamente pelo processo… Uma mistura de cagaço e sovinice quase interestelar.
Mas preciso ainda me ater ao terreno do medo, do cagaço mesmo. Imagina subir numa máquina de metal com seus 120kg (da moto, não do piloto) e sair por aí, costurando entre automóveis, buracos, pedestres e toda sorte de obstáculos encontrados nas vias brasileiras em velocidades maiores que 25 km/h? Puxa, mas que aventura, hein?!? – Não, melhor ficar com a bike motorizada, eu até tenho alguma simpatia do pessoal lá do bairro! – comenta.
O engraçado é que, na maior parte das vezes, a pessoa acaba comprando uma bicicleta toda estilizada – retrô, como chamam – pagando o olho da cara num motor barulhento que não dá a mesma força e autonomia da moto mas te deixa fedendo combustível e fumaça igualzinho.
É, mas não para por aí, não. A sandice aumenta quando chegamos ao próximo passo evolutivo do que são os meios de propulsão atuais: o motor elétrico. Sim, seja pela questão estética, pelo apelo “ecológico”, ou pelo “olha, não faz barulho”, tem sempre alguém que acha ser uma boa ideia ter uma bike elétrica. Afinal, ela é tudo o que já citei e além de tudo, está na moda. O ator tal lá de Róliúdi tem uma, ele é ativista dos direitos da Terra e tudo mais…
Por onde eu começo? Amigo, não dá pra defender a bicicleta elétrica se você que a usa não sabe nem de onde vem a energia que é usada pra recarregar as baterias. E tem mais: essas baterias, vão pra onde quando acabar sua vida útil?
No final das contas, depois de ter levantado tanta coisa sobre a bicicleta motorizada – por motor à combustão ou elétrico – eu cheguei à seguinte conclusão: bicicleta motorizada me faz lembrar do Tiozão da Sukita, lembra? O cara que quer acha que está na moda, mas não quer suar a camisa pedalando nem se cansar. Aí sai por aí na sua bicicleta, via de regra, sem saber seus direitos e deveres. Anda na calçada e na contra-mão, mas é só ver uma ciclovia ou ciclofaixa que acha bacana acelerar ao máximo que puder, sem se importar com os outros ciclistas que estão por ali.
Eu? Eu tenho uma bela bike aro 29″, amortecedores, linda. Tradicional, claro. Bom, ao menos ela estava linda lá no armário do condomínio, 3 meses atrás quando foi a última vez que ela saiu de lá.