A Lua em meu caminho

Hoje acordei às 5 da manhã para pegar a estrada rumo ao interior de São Paulo. Mais precisamente, me dirigia a Jundiaí, cidade que fica a aproximadamente 85km da minha casa.

Estamos em tempo de Lua cheia, céu limpo e passando por um fenômeno que a faz parecer maior no céu, como os jornais e blogs alardearam nos últimos dias.

 

O sono tomava conta de mim a ponto que, a primeira parte do caminho, fiz toda no “automático”. Me dei conta de onde estava, de verdade, quando cheguei à Avenida do Estado.

Á minha esquerda, a Lua brilhava forte, rivalizando com as luzes dos postes da cidade, acesas ainda pela escuridão noturna que reinava. A avistei por sobre o prédio que é o ponto mais alto da cidade de São Paulo, conhecido ainda hoje como prédio do Banespa. A torre estava iluminada por dentro e o desenho da silhueta dos prédios e construções do centro paulistano tornava aquela cena ainda mais bela.

 

Continuei em meu caminho em direção à Marginal Tietê. Naquele momento, preferi imaginar que a Lua me perseguia como uma criança brinca de esconde-esconde com seu pai no caminho para a escola. A cada curva, era surpreendido pela linda imagem do único astro no qual a humanidade pôs seus pés além da Terra.

 

Por algum tempo, me desliguei dela. Trânsito pesado, árvores, parecia que seu esconderijo seria definitivo naquele momento. Mas estar enganado quanto a isso foi uma das melhores surpresas que podiam ter acontecido.

 

Atingi a rodovia dos Bandeirantes, agora, já com o nascer do Sol à minha direita, numa posição sudeste. Um laranja fortíssimo começava a despontar no horizonte, mas não se fazia suficiente para inibir a Lua em seu esplendor. Em posição noroeste, ela ainda reinava, agora, contra o céu azul escuro de uma manhã que iniciava.

 

Ainda fui “perseguido” por alguns quilômetros: ela ainda posou atrás das montanhas cravejadas de barracos e construções, atrás de montanhas ainda mais altas marcadas por antenas de comunicação ainda com iluminação noturna e também sozinha, num céu completamente limpo.

 

A cada quilômetro pensava em como fotografar este espetáculo. A câmera, deixei em casa, junto com o tripé. Mas mesmo que os tivesse comigo, não podia parar para fazer fotos.

 

Agora, paro e penso: muitas vezes, são momentos mágicos como este que nos fazem continuar em nosso caminho. Mesmo que não possamos registrá-los para mostrar ao mundo, eles continuam em nossa mente por muito tempo até que, um dia, se apresentam perfeitamente para que possamos eternizá-los numa imagem.